Escrever um livro sempre foi um desejo íntimo para muitas pessoas. Seja para compartilhar conhecimento, contar uma boa história ou organizar ideias, dar o primeiro passo nesse processo parece tão desafiador quanto recompensador. Este artigo é baseado no vídeo acima e também na minha experiência pessoal com a escrita, além de referências de políticas públicas, editais e incentivos, como a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE), que demonstram como o cenário para autores está mudando no Brasil. Compartilho os sete passos que vejo como um caminho natural para quem quer começar a transformar uma ideia em livro, incluindo dúvidas e descobertas rotineiras do autor.
O processo de escrever um livro é pessoal
No começo, vale lembrar: não existe uma fórmula única para criar um livro. O processo é pessoal, cada um tem seu ritmo, e diferentes estilos surgem do jeito de viver e pensar de cada autor.Conheço gente que planejou tudo nos mínimos detalhes antes de digitar a primeira linha, assim como já vi bons romances nascerem de uma frase rabiscada durante o café da manhã. Por isso, os passos abaixo servem como guias, não como regras fechadas. O objetivo é trazer clareza e incentivo para você encontrar seu caminho próprio.
Descobrir como você gosta de escrever já é parte do sucesso.
1. Ter uma ideia inicial: o ponto de partida verdadeiro
Em minha experiência, a ideia inicial raramente chega já pronta ou completa. Isso é até bom. Conheço muitos escritores que travam tentando pensar na trama perfeita antes de começar. Na realidade, o que importa é ter um desejo, um incômodo ou um tema que mexa com você.
Pode ser algo simples: uma situação do dia a dia, um sentimento, um personagem curioso. Não precisa ser revolucionário. Aliás, segundo o estudo publicado na revista LínguaTec, a frequência de leitura e escrita tem relação direta com o ato de começar, por mais trivial que seja a motivação inicial.
- Você pode anotar frases soltas no celular, um resumo num papel de pão ou, como eu já fiz, gravar um áudio rápido quando uma ideia surgia caminhando na rua.
- O segredo é não julgar sua inspiração no começo. Não precisa “saber tudo” sobre sua ideia; parte do processo é justamente descobrir para onde ela vai.
Comece com o que você tem. O resto se revela durante o caminho.
2. Pesquisa: prepare o terreno da sua história
Pesquisar não é só para livros acadêmicos ou grandes biografias. Qualquer tipo de narrativa, romance, fantasia, literatura infantojuvenil, crônica ou livro técnico, se beneficia do aprofundamento do contexto. Eu sempre faço um levantamento sobre os temas que abordarei, e isso evita incoerências lá na frente.
Se sua história se passa nos anos 1950, saber qual carro era popular na época pode dar um toque de veracidade ao cenário. Se você vai narrar assuntos científicos, médicos ou jurídicos, pesquise termos corretos, jargões e procedimentos atuais. Não só evita críticas, como enriquece a experiência do leitor.
No Brasil, vemos, inclusive, programas de incentivo que estimulam não só a produção de livros, mas também uma pesquisa cuidadosa por parte dos autores. O edital 'Bahia que Escreve – Ano II' mostra o quanto um bom planejamento e embasamento são valorizados por quem apoia a literatura nacional.
- Busque livros, artigos, vídeos e profissionais de áreas envolvidas no seu tema.
- Monte um arquivo de referências para consultas rápidas durante a escrita, seja em documentos digitais, cadernos físicos ou até pastas de inspiração no Pinterest.
Boas pesquisas transformam livros comuns em experiências marcantes para quem lê. Essa etapa fornece segurança ao autor, corta retrabalho e pode abrir horizontes narrativos inesperados.
3. Brainstorming: libere todas as ideias, sem filtro
Não existe ideia boba na etapa de brainstorming. Aprendi que os melhores personagens, reviravoltas e diálogos nascem quando não censuro minhas próprias sugestões. Anote tudo que vier à cabeça: situações absurdas, finais alternativos, detalhes engraçados ou dramáticos que tenham a ver (ou não) com sua proposta inicial.

No começo, busco pensar sem obedecer a lógica rígida. Deixo a imaginação solta, tipo chuva de ideias, porque entendi que a criação fica mais rica quando diversa. Muitas vezes, relendo esses brainstorms, encontrei soluções inesperadas para buracos do enredo ou para desenvolver personagens e cenários que antes pareciam rasos.
- Experimente usar mapas mentais para conectar ideias soltas.
- Seja no papel ou em um aplicativo, revise essas anotações de tempos em tempos; elas evoluem junto com sua história.
- Compartilhe insights com pessoas de confiança, um olhar externo pode sugerir caminhos que você sozinho não enxergaria.
Anote sem medo. As melhores histórias nascem do improviso organizado.
Se você está desenvolvendo toda a jornada do seu livro, pode se inspirar na forma como plataformas como a Mentorfy organiza e personaliza jornadas para mentorias, criando etapas definidas que podem ser adaptadas conforme o aprendizado e as necessidades surgem.
4. Escaleta: organize eventos e evite se perder
A escaleta é um roteiro do que vai acontecer em cada capítulo, ou um guia de eventos principais da história. Uso essa técnica desde meu primeiro manuscrito, mesmo em formatos flexíveis. O segredo é enxergar a escaleta como um mapa e não como uma prisão: se algo mudar lá na frente, ajuste sem culpa.

No esquema mais básico, escrevo tópicos para cada parte:
- Capítulo 1, apresentação dos personagens principais
- Capítulo 2, surgimento do conflito
- Capítulo 3, reviravolta/interrupção
- Capítulo 4, preparação para o clímax...
Isso ajuda a manter o ritmo e impede que você se perca nas próprias invenções. Você pode e deve mudar o roteiro conforme novas ideias surgirem, mas ter pelo menos um norte guiando seus passos facilita imensamente.
Eu já senti a diferença de chegar ao final de uma história porque tinha uma escaleta (ainda que cheia de rabiscos) ao invés de tentar improvisar tudo de cabeça.
Sem um mapa, até a melhor viagem pode virar um passeio confuso.
Ferramentas digitais, como o criador de processos da Mentorfy, inspiram soluções até para quem escreve: dividir etapas claras permite revisar seu avanço e ajustar o roteiro, seja em mentorias ou na escrita de um romance.
5. Espaço adequado para escrever: encontre seu canto
O ambiente interfere no conforto e na disciplina do autor. Já escrevi capítulos inteiros no sofá com o notebook no colo, mas percebi que quando preparo um local especial, uma mesa organizada, iluminação boa, temperatura agradável, itens à mão, a mente entra mais rápido no modo criativo.

Recomendo experimentar lugares diferentes até descobrir onde as ideias fluem melhor. Pode ser uma biblioteca (como as que receberam exemplares do livro ‘História de Camaçari’, segundo notícia da Secretaria da Educação da Bahia), um café, a mesa da cozinha ou um quarto silencioso.
- Manter objetos que te inspirem por perto, como fotos, quadros ou lembranças, pode ajudar a criar o clima certo.
- Evite distrações: deixe de lado redes sociais e notificações de celular durante seu tempo de escrita.
Encontrar seu espaço favorito é um presente para a sua criatividade. O local certo relaxa, abre caminhos na mente e faz você voltar, dia após dia, para continuar construindo sua obra.
6. Escrever: a parte mais longa e corajosa
Chegou o momento de, de fato, transformar tudo em texto. Escrever não exige inspiração constante, mas sim presença e disciplina. Sinto que um dos erros mais comuns de quem começa é buscar perfeição desde a primeira linha. Já cometi esse erro e, quando parei de me cobrar tanto, vi que a produção aumentou. O importante nesta etapa é completar o rascunho, mesmo sabendo que ele ficará imperfeito. Pense numa pintura: primeiro vem o esboço, depois os ajustes.
- Defina metas realistas, como um número semanal de páginas ou palavras.
- Se travar numa cena, continue para o próximo capítulo e retome depois. O texto precisa avançar.
- Permita-se errar. Você vai reescrever trechos inteiros; isso faz parte.
Pode usar ferramentas que aceleram sua jornada, como bancos de aulas protegidas por IA, semelhantes ao conceito de hospedagem de conteúdos inteligentes, onde rascunhos e ideias brutas ficam acessíveis para revisões rápidas.
Você só consegue editar o que já escreveu. Esqueça a perfeição, busque terminar.
Cada vez que termino um rascunho, mesmo imperfeito, sinto que avancei quilômetros na minha jornada de escritor.
7. Revisar: transformando o texto em livro
A revisão é onde o livro realmente toma forma. Nesse momento, deixo o texto "descansando" alguns dias para poder enxergar com olhos novos. Identifico repetições, frases ambíguas, mudanças de tom e até pequenas falhas de lógica no enredo. Revisar é cortar excessos, clarear ideias e dar ritmo para a leitura fluir.
- Leio em voz alta para sentir se o texto soa natural.
- Peço apoio de leitores beta ou revisores para apontarem incoerências.
- Faço várias rodadas: primeiro a revisão estrutural, depois a gramatical.
Quer publicar? O cenário é cada vez mais animador para autores nacionais. O Governo da Bahia tem fortalecido a produção com editais específicos para livros, e há políticas públicas, como a PNLE, destinadas a estimular autores que buscam esse caminho.
A revisão é uma etapa exigente, mas cada ajuste valoriza ainda mais o seu trabalho.
Celebre: publicando, compartilhando ou simplesmente finalizando
Chegar ao fim desse processo exige persistência. Por experiência própria, o sentimento de ter escrito um livro, seja para publicar, compartilhar com amigos ou simplesmente guardar para si, é único. Vi muita gente, inclusive eu, minimizar essa conquista por medo de julgamento. Não faça isso.
Procure celebrar:
- Compartilhando o manuscrito com pessoas de confiança.
- Buscando publicação tradicional, editais de incentivo ou autopublicação (a exemplo das iniciativas promovidas pelo edital 'Bahia que Escreve').
- Participando de clubes do livro, grupos de leitura e debates.
Escrever um livro é sempre uma história de intenção, vontade e disciplina. Cada autor aprende algo novo sobre si, sobre o mundo e sobre o próprio ofício ao longo desse projeto.
O livro pronto é sempre uma vitória, não importa quantas páginas ele tenha.
Conclusão: cada livro é uma jornada única
Escrever um livro exige intenção e persistência, mas o caminho é totalmente personalizado. Em minha jornada, e observando tantos outros escritores, pude perceber que, após a primeira tentativa, tudo parece menos distante e mais divertido. O segredo está em não se comparar com métodos alheios e buscar aprimorar o próprio processo, etapa por etapa.
Vejo na Mentorfy esse mesmo espírito: transformar caos em clareza, organizando ideias e rotinas para atingir grandes resultados, assim como autores estruturam suas narrativas e encontram seus próprios jeitos de criar.
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Perguntas frequentes sobre como começar a escrever um livro
Como ter ideias para começar um livro?
As ideias costumam surgir de experiências cotidianas, observações, conversas ou até sonhos. Anote tudo, mesmo que pareça banal, pois esses fragmentos se transformam em temas, personagens ou situações inéditas. Praticar a leitura regular também favorece a criatividade, conforme estudo publicado na revista LínguaTec. Não espere a ideia perfeita: todo livro começa pequeno e se expande aos poucos.
Qual é o primeiro passo para escrever?
O primeiro passo é definir um tema ou conceito que realmente o motive a seguir em frente. Pode ser uma sensação, pergunta, conflito ou personagem. Após identificar esse ponto de partida, recomendo realizar anotações e pesquisa inicial, como sugeri ao longo do artigo. Esse início diminui a insegurança e cria um compromisso real com o projeto.
Quanto tempo demora para escrever um livro?
O tempo para finalizar um livro varia conforme o ritmo, tamanho e dedicação do autor. Algumas obras levam meses, outras, anos, essa diferença depende se o trabalho é diário, semanal ou intercalado com outras atividades. A conclusão está mais relacionada à consistência do que à velocidade. Estabelecer pequenas metas torna o avanço mais constante e menos exaustivo.
Preciso planejar antes de escrever meu livro?
Planejar facilita a fluidez e previne bloqueios durante a escrita, mas não é obrigatório seguir um planejamento rígido. Muitos autores só definem uma escaleta básica, enquanto outros detalham cada capítulo antes de começar. O equilíbrio está em respeitar o próprio estilo: planeje o que achar necessário para não se perder, mas permita que sua história ganhe vida durante o processo.
Como vencer o bloqueio criativo ao escrever?
O bloqueio criativo acontece com todos, não importa o estágio do autor. Procure mudar o ambiente, rever suas anotações iniciais ou tentar escrever cenas fora de ordem. Exercícios de escrita livre, leitura de outros textos e conversas com amigos ajudam a destravar ideias. Quando necessário, pare, respire e lembre-se de que uma pausa estratégica pode clarear mais do que insistir no momento.
Se deseja criar sua própria rotina e escalar projetos autorais com organização, recomendo conhecer os recursos de estruturação, jornada e gestão disponíveis no aplicativo Mentorfy. Aproveite para conhecer também as opções de planos disponíveis.